Como as queimadas na Amazônia podem afetar sua vida

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A queima de biomassa florestal, popularmente conhecida como “queimada”, existe na região amazônica há muito tempo. É uma prática recorrente utilizada principalmente para limpar uma área de mata para tornar o solo apto para o cultivo de grãos ou pastagem. Essa prática é caracterizada por ser uma das maiores contribuintes mundiais para a emissão de gases de efeito estufa. Porém, as consequências das queimadas na amazônia começaram a ser mensuradas e fiscalizadas há apenas algumas décadas.

Está dentro do território brasileiro 61% do bioma existente da floresta amazônica, que também está presente em outros países da América do Sul, como Peru, Venezuela, Colômbia, Bolívia, Guiana, Suriname, Equador e Guiana Francesa. Ela é a maior floresta tropical do planeta com um total de 5,5 milhões de km² de extensão. Porém sua devastação vem aumentando exponencialmente, principalmente após incentivos ao agronegócio em 1970.

Histórico de queimadas na Amazônia

Desde 1998, o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) mantém os registros da dimensão das áreas devastadas, assim como a quantidade de focos de queimadas. Os picos de incêndios ocorreram no início dos anos 2000, chegando ao ápice de 218.637 focos de incêndio no ano de 2004. Os registros mostram, também, que existe uma época em que essas queimadas acontecem com maior frequência, normalmente iniciando em junho e seguindo até meados de setembro ou outubro, que é quando o clima está mais frio e o ar mais seco, facilitando o alastramento do fogo.

Histórico de queimadas na Amazônia

Em agosto de 2019, indo completamente contra as previsões e estatísticas dos anos anteriores, cujos índices de desmatamento estavam em crescente diminuição, houve um aumento significativo de quantidade de focos de queimadas. Os números mostram que aquele mês ultrapassou a média brasileira de focos de queimada.


Atualizado em 31/08/2019 - Fonte: Inpe - Reprodução: G1

Neste ano, entre janeiro e junho tivemos 10.395 focos em todo o país, contra 8.821 no mesmo período do ano passado, concluindo um crescimento de 17,8%. De acordo com o Inpe, a média histórica para junho é de 2.724 focos ativos e em 2020 tivemos somente 2.248, mas o número não passava dos 2 mil desde 2007. Ou seja, esse é o maior número de focos dos últimos 13 anos.

Formação de gases poluentes

A queima da biomassa florestal consiste em um processo de combustão que produz substâncias tóxicas, como dióxido de carbono (CO2), mais conhecido como gás carbônico, monóxido de carbono (CO), óxidos nitrosos (NO3), hidrocarbonetos e partículas de aerossóis, que são incorporados na atmosfera, transportados e misturados. Esses elementos sofrem reações químicas, formando novas substâncias, mais tóxicas ainda, como ozônio (O3), aldeídos e os peroxiacetil nitratos.

Uma vez no ar, esses poluentes viajam de acordo com o fluxo de ar, deslocando-se para áreas distantes dos locais de emissão. Então, isso pode afetar a vida da população que não reside na região amazônica? A resposta é sim! Na segunda-feira, 19 de agosto de 2019, diversas cidades do país foram afetadas por uma nuvem de fumaça vinda de incêndios na amazônia, que se encontrou com nuvens de uma frente fria, causando chuva ácida, por exemplo na cidade de São Paulo.

Impactos sobre a saúde populacional

Segundo o médico Marcos Abdo Arbex, vice-coordenador da Comissão Científica de Doenças Ambientais e Ocupacionais da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), em entrevista ao G11, a fumaça das queimadas é muito prejudicial à saúde da população. Partículas de vários tamanhos, ao serem inaladas percorrem todo o sistema respiratório e conseguem transpor a barreira epitelial (a pele que reveste os órgãos internos), atingindo os alvéolos pulmonares durante as trocas gasosas e chegando até a corrente sanguínea. O monóxido de carbono (CO), por exemplo, também atinge o sangue e se liga à hemoglobina, impedindo o transporte de oxigênio pelo corpo.

Alguns sintomas comuns de problemas causados por respirar esse ar poluído são dor e ardência na garganta, tosse seca, cansaço, falta de ar, dificuldade para respirar, dor de cabeça, rouquidão e lacrimejamento e vermelhidão nos olhos. Essas manifestações podem variar de acordo com o tempo de exposição da pessoa ao ar contaminado. O médico ainda em entrevista ao G11, acrescenta que as queimadas podem desencadear enfermidades como as cardiovasculares, insuficiência respiratória e pneumonia.

Como estamos passando por um momento histórico devido à pandemia do Coronavírus, é imprescindível que fiquemos atentos às condições do ar, já que o COVID-19 é conhecido por comprometer principalmente pessoas com doenças respiratórias pré-existentes, como rinite, asma, bronquite, Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), entre outras.

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